segunda-feira, 28 de março de 2011

Eudes, o torcedor


Como a maioria dos brasileiros, o Eudes sempre teve uma ligação muito forte com o futebol. Como outros de sua geração, teve a oportunidade de acompanhar ao vivo todas as cinco conquistas de nosso pentacampeonato, além de acompanhar de forma apaixonada cada uma das nossas grandes derrotas, de 1950 a 2010. E era consciente de como, tanto umas quanto outras, ajudaram a moldar a personalidade brasileira nos últimos 60 anos. De quebra assistiu a grande transformação do futebol no período, dos campinhos de várzeas e pastos ao grande espetáculo televisionado ao vivo e em cores para bilhões de espectadores ao redor do mundo.

Não há registro de que tenha sido um grande jogador de futebol. Era provavelmente um esforçado colega de time, pois jogando com os amigos na adolescência ganhou o apelido de KB-11 – em referência a um caminhão popular na época.

Um jogo, entretanto, fazia parte de seu acervo futebolístico pessoal. Foi na primeira metade dos anos 70, quando já beirava os 40 de idade. Uma mera pelada de final de ano, juntando adultos e adolescentes divididos aleatoriamente num campo gramado na periferia de Sete Lagoas, entrou para sempre na sua lista de façanhas. Naquele 31 de dezembro saiu de campo como artilheiro inquestionável, o que rendeu muita conversa na festa de réveillon. Completamente fora de forma, ficou na banheira absolutamente o jogo inteiro e marcou mais de dez gols. Foi severamente criticado por não correr atrás da bola como todos os outros e ria gostosamente com as críticas de que ficava ali, parado, “ fazendo gols”! Décadas depois isentaria o comportamento dos últimos anos de Romário rememorando seu próprio exemplo. Um dos gols deste dia merece destaque especial. Não conseguiu alcançar uma bola lançada mais alta que mesmo assim foi atingida pelos seus óculos e morreu no fundo do gol: foi o memorável “gol dos óculos”. Este gol Pelé não fez.

Muito mais do que o Eudes jogador, o Eudes torcedor deixou várias histórias. E nestas histórias, às vezes se transformava. Podia ser um torcedor pessimista ou até ficar fora de si, energizado pela multidão. Podia ser um comentarista ou um contador de histórias de outros torcedores. Filosofava sobre o jogo e os jogadores. Tinha o olhar da crítica e o da paixão. Nos blogs a seguir algumas histórias do Eudes torcedor e outras histórias de torcedor que eram contadas pelo Eudes.

11 comentários:

  1. Sensacional .....

    Apesar de não ter tido o prazer de conhece-lo pessoalmente...Gostei muito do Eudes torcedor e peladeiro....conheço apenas o reflexo dele que aqui se manifesta !!!

    Abração Muamba !!

    Abbud

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  2. Eduardo, li com atenção todos os textos. Sentimos todos muitas saudades do Eudes. Como torcedor do mesmo time dele, o Palmeiras, trocávamos telefonemas antes e depois das partidas. Era exatamente como você registrou, mesmo ganhando muitas vezes lançava críticas ao time e ao treinador. Mas acho que isso é mal de palmeirense.
    Parabéns pelo blog.
    Vamos aguardar novas postagens sobre esse grande companheiro.

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  3. Gol dos óculos!!! Sensacional!! Linda iniciativa, parabéns Zezão

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  4. O único defeito era ser Palmeirense, mas está perdoado...rsrsrsrs
    Estava bem em forma.....redondinho redondinho.....lembro bem de alguém que tinha que amarrar os cardarços dele na adolescencia....rsrsrs
    Saudades só deixam aqueles que se fizeram presentes.....

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  5. Onde quer que esteja, Eudes deve estar vibrando com o feito raro e especial do Rogério Ceni cujo centésimo gol eternizou e finalmente internacionalizou o centenário do Corintians!

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  6. Adorei a homenagem. Tive a sorte de conviver e ter um sogro amigo como Sr. Humberto. Texto maravilhoso que reflete bem o humor, carisma e grande homem que foi seu Humberto nessa passagem aqui na terra. É Eduardo, a saudade ainda está muito grande. A presença dele foi muito marcante e cheia de vida.

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  7. Palmeirense doente. Mas nunca o vi com uma camisa do time. Nunca vi bandeira do Palmeiras. Mas era fanático. Desde pequeno, em Pirapora, MG. Contou que, em Pirapora, só pegava rádio do Rio e São Paulo, então, os times que torciam e pelos quais a molecada brincava, eram os do Rio e Sampa. Molequinho de tudo, algum maiorzinho disse, na hora de separar os times, que ele era Palmeiras. Daí o Palmeiras encravou na alma dele. Forever. Se o Palmeiras começar a arrasar, tenho certeza de que é meu pai, lá de cima, dando uma força para a bola...

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  8. Tínhamos algo em comum, " Palmeirenses"...

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  9. suerte ... haberte conocido
    suerte ... hablarte como amigo
    Hoje o céu com certeza está me festa.
    Saudades...saudades!

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  10. Grande Homem, Grande Amigo e Parceiro! Foi um prazer enorme ter o conhecido, Sr Humberto uma pessoa alegre sempre extrovertida, quantos causos de Pirapora/MG e Sete Lagoas/MG ele nos contava ma hora do café da tarde, mais tenho algo mais nobre ainda, numa tarde chuvosa na cozinha de sua residencia enquanto agradávamos seu filho chegar de uma reunião, entre uma conversa e outra tomamos 1 litro e meio de licor de pequi (Evazado em Curvelo/MG), ali por varias horas viajei com ele por Minas... Sr Humberto deixa saudades aqui em baixo e o Céu ganhou uma pessoa que plantou amizade e alegria nessa nossa vida passageira, hoje o Sr se encontra em outra dimensão e garanto que o que o Sr fez por nós aqui esta fazendo ao na sua nova morada. Sr Humberto só tenho que agradecer pelo que fez por nós... Obrigado

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